Arquivos Mensais: setembro 2013

Como o Premiere interage com AEP e PSD?

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O designer e o micreiro

Embora tenha me formado em design PV, acabei migrando pra área audiovisual, na verdade são nichos de mercado próximos e que tem a ver, mas apesar das semelhanças também tem algumas diferenças que me ajudaram optar por essa mudança.

O mercado de trabalho de design no Brasil é uma selva difícil de sobreviver, só pra explicar o que fazemos já é complicado, quando alguém pergunta: o que exatamente é um designer? Confesso que tenho preguiça de responder por que embora tente resumir, a função é muito ampla, além disso, é uma profissão relativamente nova se comparada a outras mais tradicionais, as pessoas não sabem o que é um designer e é uma verdadeira obra de arte tentar explicar a profissão em poucos segundos, um arquiteto ou um dentista, por exemplo, não tem esse problema, é só dizer a profissão que as pessoas já sabem do que se trata!

Somado a ignorância popular (me refiro ao sentido literal da palavra de desconhecer algo) de não ter a menor ideia do que seja um designer, existe a mistura de profissões que se aproximam ou trabalham em conjunto com design: publicidade, marketing, artista plástico, fotógrafo, desenhista e etc, o que só dificulta uma definição simples do nosso trabalho já que as pessoas tendem a misturar com algo que elas já conheçam.  Se geralmente as pessoas tem dificuldade para entender o que é um designer, é claro que também tem dificuldade pra entender como ele trabalha. É comum ver pessoas pedindo pra um designer trabalhar de graça, e as pessoas não o fazem por malandragem (não todas), mas por ignorância mesmo.

Quantas vezes um designer escuta a pergunta: Você não “me ajuda” a criar uma logomarca? Você não faz uns modelos de cartão de visita pra mim? E muitas vezes perguntam na cara dura mesmo sem ter a menor intenção de gastar um centavo! Fotógrafos também sofrem com isso! Imagine alguém entrar num consultório odontológico e pedir para o dentista “ajudar” a tirar uma cárie sem ter a pretensão de pagar por isso! No mínimo diríamos que a pessoa é muito folgada ou fora da realidade! Designers combatem essa mentalidade parasita diariamente, porque se as pessoas já tem um pensamento que é uma “semi-profissão” onde não se cobra e pede-se as coisas gratuitamente, quem dirá aceitar um orçamento profissional para um projeto completo, esqueça! Um designer infelizmente vive cercado de clientes que querem as coisas ou de graça ou com “descontos” de 80% do orçamento!

No “mundo ideal da faculdade” tudo funciona, os professores ensinam os alunos a se valorizar e cobrar uma fortuna pra fazer uma logomarca e toda a papelaria, e falam convictos que é tudo uma questão de se valorizar e não deixar o amadorismo do mercado afetar as relações, na prática é outra história, a quantidade de micreiros que tem por aí é inacreditável, parece que se reproduzem como no filme “matrix”, é assustador! O camarada é engenheiro ambiental e da noite pro dia resolve abrir uma empresa de “design” e se torna “diretor de arte”, a pessoa estudou agronomia e um belo dia decide ter sua própria agência de “design” e de um momento a outro está diante de clientes falando do “conceito visual” do trabalho (lendo o significado das cores pela internet)! É tenebroso!

Agências de design famosas que para um projeto de logomarca e um site cobram mais de 60 mil reais e micreiros que fazem o pacotão 5 mil “resolvo sua vida”! É muito complicado. Não mudei de área pelas dificuldades, elas existem em todas as profissões e temos duas opções: se esconder na desculpa que é muito difícil a realidade do mercado ou superar os problemas, mudei de área por preferência mesmo, me realizo muito mais produzindo vídeos que fazendo sites, é uma questão de gosto pessoal. Com vídeo não tem tanto aquele lance do cliente ficar dando palpite: pinta desta cor, faz uma bolinha verde aqui em cima, nem de ter um chefe que é um mecânico se aventurando a  “diretor de arte” e solta várias pérolas no dia a dia. O cara que trabalha numa produtora de vídeo ou canal de TV vai ter um chefe que entende do assunto e um briefing de trabalho coerente, vai ter um perfil de cliente que entende que o trabalho não é de graça e aceita pagar bem porque entende que coisa bem feita e realizada por um profissional custa caro! É possível ser um designer profissional, ter uma postura profissional, se valorizar e fazer os clientes entenderem o valor de um designer? Sim, acredito que sim, tenho certeza que não é uma tarefa fácil e simples mas é possível. O grande problema é que esse perfil de cliente mais maduro, geralmente está em grandes empresas multinacionais que gastam muita grana para investir em marketing, empresas menores geralmente ainda oscilam entre profissionais e amadores.

Muita gente pergunta: o que você acha da regulamentação da profissão designer? É a favor? Na verdade não sei, sim e não. Sim porque por um lado ajudaria a filtrar pseudo empresas de pseudos designers (essa história do agrônomo, engenheiro, mecânico e palhaço de circo que resolve virar “designer” da noite pro dia e começa a vender o pacotão por 5 mil “resolvo sua vida”), por outro lado acho que tem muito micreiro formado, o que é o micreiro? É o famoso amador, o cara que não cumpre prazos, não sabe redigir um contrato, não sabe negociar, faz o trabalho de qualquer forma só pensando na grana, não se interessa de fato em ajudar o cliente, não se baseia num briefing, não tem absolutamente nenhuma metodologia nem referência, sabe usar o software em si mas é desprovido de qualquer senso criativo ou de estética visual para desenvolver um projeto, e tem muita gente saindo da faculdade assim!

Já vi micreiro formado e já vi excelentes designers sem formação superior em design, particularmente acho que o fato de uma pessoa se graduar em um curso seja ele qual for, já prova algumas qualidades profissionais como dedicação, responsabilidade, pontualidade e perseverança, pelo menos quem se forma é analisado por outros profissionais e tem que provar um mínimo de conhecimento no assunto, tem muita gente que tem preguiça de estudar e tenta sustentar o discurso que a faculdade “não serve pra nada”, não acredito nem em um extremo nem em outro.

Existe de tudo: ótimos designers sem formação superior e micreiros com diploma, não é a faculdade que determina isso, conheci excelentes designers que não se formaram, mas que leram e estudaram sobre o assunto de outras formas, fizeram outros cursos, e quando criam algo, fazem com uma bagagem conceitual muito mais completa que designers com diploma.
Muita gente confunde as coisas quando vê um designer detonando um micreiro, tendem a pensar que o designer está com “medo” do micreiro, de perder “espaço” ou “clientes” a ele, na verdade o que irrita o profissional é que com a quantidade de amadores e com a forma absurda de tentarem se apresentar no mercado como “expert” na área, o mercado fica prostituído, o cliente por mais bem intencionado que seja tem dificuldade de separar as coisas, por que vai pagar 20 mil a mais num projeto? Eu sei, eu sei, se você é profissional e tem tanto micreiro no mercado você vai se dar bem porque vai se destacar em meio a tanto amadorismo, mas por outro lado querendo ou não esses orçamentos do tipo pacotão “resolvo sua vida” oferecidos por pseudo empresas de “design” estragam a realidade do mercado, deixam um rastro de dúvida em um nicho de mercado que poderia ser muito mais valorizado.

Particularmente achei que valeu muito a pena mudar de área, até hoje continuo fazendo freelas de design, mas hoje estou muito mais focado em trabalhar com vídeo, é uma área mais preservada de “pseudo profissionais” e de clientes parasitas que imploram por descontos frenéticos e sem sentido. Ás vezes encontramos uma ou outra empresa de programadores e micreiros que se aventuram a produzir vídeos dependendo de terceiros, mas geralmente é mais complicado porque eles não tem a menor ideia por onde começar, desde equipamentos, prazos de produção, roteiro, direção em fotografia, é outro universo, muito mais caro, mais exigente e mais preservado da bagunça toda que existe na selva dos designers  🙂

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