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The final Cut – manipulando através do vídeo

O filme “Violação de privacidade” com o título original “The final cut” com Robin Williams mostra um dos papéis de um editor de vídeo: o de apresentar uma idéia e um conceito manipulando imagens. Sempre vi Robin Williams em atuações mais relacionadas a comédia, com certeza muito disso se deve ao fato dele além de ator ser comediante, as vezes acontece de um ator ficar ligado a um gênero de filme, Adam Sandler é outro ator que vc nunca relaciona com filmes policiais ou drama, sua filmografia é repleta de comédia, no entanto saiu desse estereótipo no filme “Reine Sobre Mim” onde interpreta um personagem que sofre um trauma não superado com a morte da esposa, atuação sensacional!

Da mesma forma, Robin Williams deixa a comédia um pouco de lado em “Violação de privacidade” e mostra uma excelente habilidade de atuação em outros gêneros cinematográficos.
“The final cut” é sobre um editor de vídeo profissional que faz uma montagem da vida das pessoas quando estas morrem. Usando o “branca de neve” software que edita vídeos, ele tem a árdua tarefa de transformar um safado em um santo com a apresentação da edição no velório dos homenageados.

Quando assisti esse filme pensei: todo editor de vídeo deveria ver esse filme! Porque ele mostra justamente a crise do personagem interpretado por Robin Williams em vender uma imagem falsa, nas montagens que ele faz acaba descobrindo tudo sobre a vida das pessoas, pois os arquivos de vídeo que utiliza na edição são como uma câmera subjetiva, um chip é instalado nas pessoas e a vida toda delas é armazenada como a visão dos próprios olhos dos falecidos. Ele descobre traições, violência, adultérios e seu trabalho é apresentar os mortos como verdadeiros “santos”.

Acho que a mesma crise acontece com editores de vídeo que trabalham em campanhas políticas,  a base sobre todo conceito da montagem é manipulação, não só de imagens mas manipulação da mente dos telespectadores, faz parte, o editor apresenta o “bonito”, o “bom”, o “barato”, o “melhor”, o “honesto”, a não ser que trabalhe com jornalismo ou alguma área que tenha a denúncia como ferramenta, caso contrário terá de entrar nesse universo de manipulação conceitual, transformando safados em santos!

Acho que boa parte da realização de montadores cinematográficos está no fato de ser uma ficção, de ser entretenimento, de certa forma acaba sendo um alívio. Por alguns anos eu trabalhei com edição de vídeos voltados à segurança no ambiente de trabalho, vídeos de treinamento que tinham por objetivo proteger funcionários na rotina de seus empregos, ainda que não fosse uma área propícia pro uso da criatividade e possibilitasse trabalhar com outras características da área de edição de vídeo, trazia o “alívio” de saber que meu trabalho era mais voltado à instrução do que a manipulação, não é à toa que editores de vídeo em época de campanha política ganham muito bem, o salário tem que compensar o desgaste de colaborar pra vender uma imagem falsa de um personagem verdadeiro.

Todos os editores de vídeo profissionais que ainda não assistiram o “The final Cut”, recomendo que o façam o quanto antes!

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